Dicionário
Dicionário da Incorporação Imobiliária
92 termos de incorporação, loteamento e Build to Rent explicados de forma simples — com fórmulas e faixas de referência do mercado brasileiro.
92 termos encontrados
Categorias
Viabilidade
Indicadores que dizem se o negócio para de pé.
VGV
Valor Geral de Vendas
Soma do preço de tabela de todas as unidades do empreendimento.
É a receita bruta potencial do projeto, considerando 100% das unidades vendidas ao preço de tabela. Serve de base para quase todos os indicadores percentuais da incorporação.
VGV = Σ (área privativa da unidade × preço por m²)
ReferênciaEm estudos preliminares, trabalhe com o VGV a preço de hoje, sem inflação embutida.
Veja também: VGV líquido, Margem líquida, Permuta
VGV líquido
VGV descontado de comissões, impostos e descontos de tabela.
É o que efetivamente entra no caixa da incorporadora. Ignorar a diferença entre VGV bruto e líquido é a distorção mais comum em estudos amadores.
VGV líquido = VGV − comissões − impostos sobre venda − descontos
Veja também: VGV, Comissão de vendas, RT
Margem líquida
Lucro do projeto dividido pelo VGV.
É o indicador mais citado do setor porque é simples, mas ignora tempo. Um projeto de 20% em 24 meses é muito melhor que 25% em 60 meses.
Margem = lucro líquido / VGV
ReferênciaResidencial vertical: 15% a 25%. Abaixo de 12% o projeto tem pouca folga para erro.
Veja também: VGV, ROI, Exposição máxima de caixa
Preço máximo do terreno
Quanto se pode pagar pela área mantendo a margem-alvo.
É o cálculo invertido da viabilidade: fixa-se a margem desejada e resolve-se para o valor da terra. Serve como teto de negociação.
Terreno máx. = VGV líquido − custos − despesas − lucro-alvo
Veja também: Custo do terreno, Margem líquida, Permuta
Eficiência do projeto
Relação entre área privativa vendável e área total construída.
Mede quanto do que se constrói se transforma em produto vendável. Ganhos de eficiência aparecem direto na margem.
Eficiência = área privativa total / área construída total
ReferênciaVertical residencial: 55% a 70% é o intervalo saudável.
Veja também: Área privativa, Área construída, Margem líquida
Análise de cenários
Simulação do projeto em hipóteses conservadora, moderada e otimista.
Cada cenário altera de forma coerente preço, velocidade e custo. Serve para ver se o projeto sobrevive ao mundo ruim, não só ao mundo previsto.
Veja também: Análise de sensibilidade, Stress test, Margem líquida
Análise de sensibilidade
Mede quanto o resultado muda quando uma variável se move.
Na matriz 2D, cruzam-se duas variáveis (por exemplo preço × custo de obra) e observa-se o efeito na TIR ou na margem. Revela onde está o risco de verdade.
Veja também: Análise de cenários, Stress test, TIR
Stress test
Teste do projeto sob choques severos e simultâneos.
Vai além do cenário conservador: custo +20%, vendas na metade, obra atrasada seis meses. Responde se o projeto quebra ou apenas perde rentabilidade.
Veja também: Análise de cenários, Análise de sensibilidade, Exposição máxima de caixa
Ponto de equilíbrio
Percentual de vendas necessário para cobrir todos os custos.
Indicador de segurança: quanto menor, mais folga o projeto tem para atravessar um mercado ruim.
PE = custo total / preço médio de venda por unidade
ReferênciaAbaixo de 70% do VGV é confortável.
Veja também: Margem líquida, Stress test
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Começar análiseUrbanismo
Parâmetros legais que definem o que cabe no terreno.
Coeficiente de aproveitamento
CA
Quantas vezes a área do terreno pode ser construída.
É o principal limitador do potencial construtivo. Muitos municípios separam CA básico (gratuito) de CA máximo (mediante outorga onerosa).
Área computável máxima = área do terreno × CA
Veja também: Outorga onerosa, Taxa de ocupação, Área computável
Taxa de ocupação
TO
Percentual do terreno que a projeção da edificação pode cobrir.
Controla a implantação. Junto com recuos e gabarito, define o formato possível da torre e o número de unidades por pavimento.
Veja também: Coeficiente de aproveitamento, Recuos, Gabarito
Taxa de permeabilidade
Fração do terreno que deve ficar sem impermeabilização.
Exigência de drenagem urbana. Reduz a área útil de implantação e às vezes obriga reservatório de retenção.
Veja também: Taxa de ocupação, Recuos
Recuos
Distâncias mínimas obrigatórias entre a edificação e as divisas.
Frontal, laterais e de fundo. Em terrenos estreitos, o recuo é o que efetivamente limita a área do pavimento-tipo, mais do que o CA.
Veja também: Taxa de ocupação, Gabarito
Gabarito
Altura ou número máximo de pavimentos permitido.
Pode ser limitado por zoneamento, cone aeronáutico, tombamento do entorno ou capacidade de infraestrutura.
Veja também: Recuos, Zoneamento
Zoneamento
Divisão da cidade em zonas com usos e índices próprios.
Define o que pode ser construído, para qual uso e em qual intensidade. É a primeira consulta de qualquer estudo de terreno.
Veja também: Plano diretor, Coeficiente de aproveitamento, Uso do solo
Plano diretor
Lei municipal que orienta o desenvolvimento urbano e o zoneamento.
Revisado periodicamente. Mudanças de plano diretor criam e destroem potencial construtivo — e portanto valor de terreno — de uma hora para outra.
Veja também: Zoneamento, Outorga onerosa
Outorga onerosa
OODC
Pagamento ao município para construir acima do coeficiente básico.
Contrapartida financeira pelo potencial construtivo adicional. Entra no estudo como custo relevante e às vezes decide a viabilidade do projeto.
Veja também: Coeficiente de aproveitamento, CEPAC, Plano diretor
CEPAC
Certificado de Potencial Adicional de Construção
Título negociável que dá potencial construtivo em operação urbana.
Vendido em leilão pelo município dentro de perímetros de operação urbana consorciada. Tem preço de mercado e pode ser estocado.
Veja também: Outorga onerosa, Plano diretor
Uso do solo
Categoria de atividade permitida na zona: residencial, comercial, misto.
Define também exigências de vagas, carga e descarga e incomodidade. Uso misto costuma exigir acessos e circulações independentes.
Veja também: Zoneamento, Plano diretor
Área computável
Área que conta no cálculo do coeficiente de aproveitamento.
Áreas técnicas, algumas vagas e certas áreas comuns podem ser não computáveis conforme a lei local, o que aumenta o produto sem consumir potencial.
Veja também: Coeficiente de aproveitamento, Área construída, Área privativa
Área construída
Total de área edificada, computável e não computável.
Base para o custo de obra. É sempre maior que a soma das áreas privativas, por causa de circulações, garagem e áreas técnicas.
Veja também: Área privativa, Área computável, Custo de obra
Área privativa
Área de uso exclusivo da unidade, base do preço de venda.
É a métrica comercial: o preço por m² anunciado quase sempre se refere à área privativa, não à construída.
Veja também: Área construída, Eficiência do projeto, VGV
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Começar análiseFinanceiro
Retorno, risco, custo de capital e fluxo de caixa.
VPL
Valor Presente Líquido
Soma dos fluxos de caixa futuros trazidos a valor presente.
Mede quanto de valor o projeto cria acima do custo de capital. VPL positivo significa que o projeto remunera o capital exigido e ainda sobra.
VPL = Σ FCt / (1 + i)^t
ReferênciaVPL > 0 com taxa de desconto igual ao custo de oportunidade real do incorporador.
Veja também: TIR, Taxa de desconto, Fluxo de caixa
TIR
Taxa Interna de Retorno
Taxa de desconto que zera o VPL do projeto.
Expressa o retorno percentual do capital investido ao longo do tempo. Deve sempre ser comparada com o custo de capital e lida junto do VPL, porque projetos pequenos podem ter TIR alta e valor absoluto irrelevante.
VPL(TIR) = 0
ReferênciaIncorporação residencial no Brasil: 25% a 40% a.a. nominal costuma ser o alvo.
Veja também: VPL, TIR mensal, MTIR, Payback
TIR mensal
TIR calculada sobre o fluxo mensal, antes de anualizar.
Como o fluxo da incorporação é mensal, a TIR nativa é mensal. A anualização usa capitalização composta, não multiplicação por 12.
TIR anual = (1 + TIR mensal)^12 − 1
Veja também: TIR
MTIR
Taxa Interna de Retorno Modificada
TIR corrigida por uma taxa de reinvestimento realista.
Resolve dois defeitos da TIR clássica: múltiplas inversões de sinal no fluxo e a hipótese de reinvestir sobras à própria TIR. Usa taxa de financiamento para saídas e de reinvestimento para entradas.
MTIR = (VF entradas / VP saídas)^(1/n) − 1
Taxa de desconto
Custo de oportunidade usado para trazer fluxos a valor presente.
Deve refletir o retorno que o capital obteria em alternativa de risco equivalente. Em incorporação, costuma partir do CDI e somar prêmio de risco do setor e do projeto.
ReferênciaCDI + 6 a 12 pontos percentuais é uma referência usual.
Veja também: VPL, Custo de capital, WACC
Custo de capital
Quanto custa, em % ao ano, o dinheiro que financia o projeto.
Combina o custo da dívida (juros bancários) e o retorno exigido pelo capital próprio, ponderados pela participação de cada um.
Veja também: WACC, Taxa de desconto, Alavancagem
WACC
Weighted Average Cost of Capital
Custo médio ponderado de capital entre dívida e equity.
Sintetiza numa taxa só o custo de todas as fontes de financiamento do projeto, líquido do benefício fiscal da dívida quando aplicável.
WACC = E/(D+E) × Ke + D/(D+E) × Kd × (1 − t)
Veja também: Custo de capital, Taxa de desconto, Alavancagem
ROI
Return on Investment
Lucro dividido pelo capital efetivamente investido.
Diferente da margem, mede o retorno sobre o dinheiro que saiu do bolso, não sobre a receita. Alavancagem aumenta ROI e aumenta risco.
ROI = lucro líquido / capital investido
Veja também: Margem líquida, Exposição máxima de caixa, Alavancagem
Payback
Tempo até o caixa acumulado voltar a zero.
Mede risco de prazo. O payback descontado, que traz os fluxos a valor presente, é a versão tecnicamente correta.
ReferênciaIncorporação: normalmente entre 60% e 80% do prazo total do projeto.
Veja também: Fluxo de caixa, Exposição máxima de caixa, VPL
Exposição máxima de caixa
O ponto mais negativo do caixa acumulado do projeto.
Diz de quanto dinheiro o incorporador precisa ter disponível para atravessar a obra. É o número que define se o projeto cabe no bolso, mesmo quando a margem é ótima.
Veja também: Fluxo de caixa, ROI, Funding
Fluxo de caixa
Entradas e saídas do projeto distribuídas no tempo.
O coração do estudo. Receita de vendas segue a tabela e a velocidade; despesas seguem a curva de obra. É do fluxo que saem VPL, TIR, payback e exposição.
Veja também: Curva S, Exposição máxima de caixa, VPL, TIR
Financiamento à produção
Crédito bancário liberado conforme a medição de obra.
Também chamado de plano empresário. Reduz a exposição de caixa em troca de juros e de garantias reais sobre o empreendimento.
ReferênciaCostuma financiar 60% a 80% do custo de obra.
Veja também: Exposição máxima de caixa, Alavancagem, Cronograma físico-financeiro
Alavancagem
Uso de capital de terceiros para ampliar o retorno do capital próprio.
Aumenta ROI e TIR do equity quando o projeto vai bem e amplifica o prejuízo quando vai mal. Só faz sentido com margem folgada.
Veja também: ROI, Financiamento à produção, WACC
Funding
Conjunto de fontes que bancam o projeto até o caixa virar.
Combina capital próprio, investidores, permuta, financiamento à produção e as próprias vendas. Um bom funding é o que viabiliza projetos com exposição alta.
Veja também: Exposição máxima de caixa, Financiamento à produção, Permuta
DRE
Demonstração do Resultado do Exercício
Quadro que parte do VGV e desce até o lucro líquido do empreendimento.
Na incorporação, a DRE consolida receitas de venda, deduções (permuta, impostos, comissões), custos de obra, despesas indiretas e o resultado final. É a leitura estática do negócio — complemento obrigatório do fluxo de caixa.
Veja também: VGV, VGV líquido, Margem líquida, Fluxo de caixa
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Começar análiseCustos
Obra, terreno, impostos e despesas do empreendimento.
Curva S
Distribuição típica do desembolso de obra ao longo do tempo.
Gasta-se pouco no início (fundações e mobilização), muito no miolo (estrutura e alvenaria) e pouco no fim (acabamento e entrega), formando um S no acumulado.
Veja também: Cronograma físico-financeiro, Custo de obra, Fluxo de caixa
Cronograma físico-financeiro
Planilha que casa avanço de obra com desembolso mensal.
Base para medições, liberação de financiamento à produção e projeção de caixa. Divergência entre físico e financeiro é sinal precoce de problema na obra.
Veja também: Curva S, Financiamento à produção
Custo de obra
Custo direto de construção, geralmente em R$/m² de área construída.
Inclui material, mão de obra e serviços da construção. Não inclui terreno, projetos, taxas, marketing nem custo financeiro.
ReferênciaPadrão médio vertical em capitais: 1,1 a 1,4 × CUB, dependendo do acabamento.
Veja também: CUB, BDI, Custo indireto, Área construída
CUB
Custo Unitário Básico
Índice mensal por m² publicado pelos Sinduscons estaduais.
Referência de custo de construção por padrão e tipologia. Serve para orçar em fase preliminar e para reajustar contratos, mas não cobre fundações especiais, elevadores nem obras externas.
Veja também: Custo de obra, INCC
INCC
Índice Nacional de Custo da Construção
Índice de inflação da construção usado para corrigir parcelas de obra.
É o indexador padrão das parcelas pagas pelo comprador durante a obra. Depois das chaves, a correção normalmente migra para IPCA ou IGP-M.
Veja também: CUB, Tabela de vendas
BDI
Benefícios e Despesas Indiretas
Percentual sobre o custo direto que cobre indiretos, impostos e lucro do construtor.
Quando a obra é contratada de terceiro, o BDI já está embutido no preço. Quando é obra própria, os indiretos precisam ser orçados explicitamente.
ReferênciaObras privadas: 15% a 25% sobre o custo direto.
Veja também: Custo de obra, Custo indireto
Custo indireto
Gastos que não viram concreto: projetos, taxas, canteiro, administração.
Inclui projetos e aprovações, licenças, ART/RRT, ligações definitivas, seguros, administração de obra e despesas de condomínio das unidades em estoque.
ReferênciaCostuma somar 8% a 15% do custo direto de obra.
Veja também: Custo de obra, BDI, Taxa de administração
Fee do incorporador
Remuneração da incorporadora pela gestão do empreendimento.
Percentual sobre o VGV ou sobre o custo, pago à incorporadora pelo trabalho de estruturar, aprovar e gerir o projeto — separado do lucro do investimento.
Referência3% a 6% do VGV em operações com investidores.
Veja também: SPE, Taxa de administração
Taxa de administração
Percentual cobrado para administrar obra ou empreendimento.
Em regime de administração, o construtor cobra um percentual sobre o custo executado em vez de assumir preço fechado — repassando o risco de custo ao contratante.
Veja também: Fee do incorporador, Preço fechado
Preço fechado
Contrato de obra por valor global fixo, com risco no construtor.
Também chamado de empreitada global. Dá previsibilidade de custo ao incorporador em troca de um prêmio de risco embutido no preço.
Veja também: Taxa de administração, BDI
Custo do terreno
Valor de aquisição da área, em dinheiro, permuta ou combinação.
Além do preço, entram ITBI, registro, corretagem e eventual custo de regularização. Em estudo de viabilidade, tudo isso compõe o custo real da terra.
ReferênciaRegra prática: terreno entre 15% e 22% do VGV em incorporação vertical.
Veja também: Permuta, ITBI, Preço máximo do terreno
IPTU
Imposto Predial e Territorial Urbano
Imposto anual sobre o imóvel, devido durante o projeto e sobre o estoque.
Enquanto a unidade não é entregue e transferida, o custo é da incorporadora. Em terrenos ociosos há risco de IPTU progressivo.
Veja também: Custo indireto, Estoque
Área equivalente de construção
Área ajustada por coeficientes de custo, usada nos quadros da NBR.
Converte áreas de padrão diferente (garagem, varanda, área técnica) em área equivalente de padrão pleno, para orçar com um único R$/m².
Veja também: NBR 12.721, Custo de obra, Área construída
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Começar análiseVendas
Velocidade, tabela, comissão e comportamento do comprador.
Velocidade de vendas
VSO
Ritmo de comercialização das unidades, normalmente % ao mês.
Variável mais sensível do estudo depois do preço. Vendas lentas alongam o caixa, aumentam custo financeiro e derrubam a TIR mesmo com margem intacta.
VSO = unidades vendidas no mês / unidades disponíveis
ReferênciaLançamento saudável: 4% a 8% ao mês. Abaixo de 2% acende alerta.
Veja também: Estoque, Tabela de vendas, Fluxo de caixa
Estoque
Unidades ainda não vendidas, na planta ou prontas.
Estoque pronto é o mais caro: além do capital parado, gera condomínio, IPTU e pressão de desconto.
Veja também: Velocidade de vendas, IPTU, Estoque pronto
Estoque pronto
Unidades concluídas e ainda não vendidas.
Consome caixa todo mês e costuma exigir desconto para girar. Um projeto com bom VPL pode virar prejuízo se o estoque pronto encalhar.
Veja também: Estoque, Velocidade de vendas
Tabela de vendas
Estrutura de pagamento: entrada, mensais, balões e chaves.
Define quando o dinheiro entra. Duas tabelas com o mesmo preço nominal podem ter valores presentes muito diferentes.
ReferênciaPadrão: 20% a 30% até as chaves, o restante no repasse bancário.
Veja também: Velocidade de vendas, Repasse, INCC, VPL
Repasse
Transferência da dívida do comprador para o banco após a entrega.
É quando a incorporadora recebe o grosso do valor. Atrasos de repasse — por documentação ou crédito do cliente — travam o caixa final do projeto.
Veja também: Habite-se, Tabela de vendas, Distrato
Distrato
Cancelamento da compra pelo adquirente antes da entrega.
A Lei 13.786/2018 disciplinou multas e prazos de devolução. Em cenários de estresse, o distrato devolve unidades ao estoque e desorganiza o fluxo.
ReferênciaRetenção legal de até 25% (50% com patrimônio de afetação).
Veja também: Repasse, Patrimônio de afetação, Estoque
Comissão de vendas
Percentual do valor da unidade pago à corretagem.
Costuma incidir sobre o preço de venda e ser paga proporcionalmente ao recebimento ou antecipada no ato — o que impacta o caixa inicial.
Referência4% a 6% do VGV em lançamentos com imobiliária externa.
Veja também: VGV líquido, RT, Verba de marketing
RT
Remuneração Total do corretor
Bônus adicional pago ao corretor além da comissão-padrão.
Usado para acelerar unidades encalhadas ou tipologias difíceis. Precisa entrar no estudo como custo variável de venda.
Veja também: Comissão de vendas, Estoque pronto
Verba de marketing
Investimento em stand, mídia, plantão e materiais de venda.
Concentra-se na pré-obra e no lançamento, justamente quando o caixa está mais apertado. Merece linha própria no fluxo.
Referência1,5% a 3% do VGV.
Veja também: Comissão de vendas, Fluxo de caixa
Preço por m²
Valor de venda dividido pela área privativa.
Métrica de comparação com a concorrência. Deve ser lida junto de padrão, andar, orientação solar e vagas — comparar preço médio sem ajustar produto engana.
Veja também: VGV, Área privativa, Pesquisa de mercado
Pesquisa de mercado
Levantamento de oferta, preço e absorção dos concorrentes diretos.
Define preço, mix e velocidade do estudo. Sem ela, o resto do modelo é opinião com planilha bonita.
Veja também: Preço por m², Velocidade de vendas, Mix de produto
Mix de produto
Combinação de tipologias, metragens e número de unidades.
Ajustar o mix é a alavanca mais barata de viabilidade: muda VGV e custo simultaneamente, sem tocar no terreno.
Veja também: Tipologia, Pesquisa de mercado, Eficiência do projeto
Tipologia
Cada tipo de unidade: studio, 1, 2, 3 dormitórios, garden, cobertura.
Cada tipologia tem preço por m², velocidade e público próprios. O estudo fica muito mais preciso quando modelado por tipologia, não por média.
Veja também: Mix de produto, Preço por m²
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Começar análiseJurídico
Estruturas, registros e obrigações da incorporação.
Permuta
Pagamento do terreno com unidades ou parte do VGV, em vez de dinheiro.
Reduz drasticamente a exposição de caixa. Pode ser física (unidades) ou financeira (percentual sobre as vendas). Tem efeitos tributários próprios no RET.
ReferênciaPermuta física entre 15% e 30% das unidades é o intervalo mais comum.
Veja também: Custo do terreno, RET, VGV
ITBI
Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis
Imposto municipal pago na transferência do imóvel.
Incide sobre o valor venal ou o de transação, o que for maior. Integrar SPE com o terreno pode diferir o fato gerador em algumas hipóteses.
Referência2% a 3% na maioria das capitais.
Veja também: Custo do terreno, SPE, Registro de incorporação
RET
Regime Especial de Tributação
Tributação unificada e reduzida para incorporações com patrimônio de afetação.
Substitui IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por alíquota única sobre a receita mensal da incorporação afetada, com recolhimento em DARF próprio por empreendimento.
Referência4% sobre a receita (1% no programa habitacional popular).
Veja também: Patrimônio de afetação, SPE, Lucro presumido
Patrimônio de afetação
Separação legal do empreendimento do patrimônio da incorporadora.
Blinda o comprador: os bens e receitas da incorporação não respondem por dívidas de outros negócios da empresa. É pré-requisito para o RET.
Veja também: RET, Registro de incorporação, SPE
SPE
Sociedade de Propósito Específico
Empresa criada só para tocar um empreendimento.
Isola risco, facilita a entrada de investidores e sócios de terreno e simplifica a apuração de resultado do projeto.
Veja também: Patrimônio de afetação, RET, Fee do incorporador
Lucro presumido
Regime tributário alternativo ao RET para atividade imobiliária.
Tributa uma base presumida da receita. Pode ser vantajoso em operações sem afetação ou com margem muito alta, mas exige simulação caso a caso.
ReferênciaCarga efetiva usual entre 5,9% e 6,7% da receita imobiliária.
Registro de incorporação
Ato no cartório que autoriza a venda das unidades na planta.
Exige o memorial do artigo 32 da Lei 4.591/64: projeto aprovado, quadros NBR 12.721, certidões e discriminação das frações ideais. Vender antes dele é irregular.
Veja também: Memorial descritivo, NBR 12.721, Habite-se
Memorial descritivo
Documento que detalha materiais, acabamentos e áreas do empreendimento.
Vincula a incorporadora ao padrão prometido. Divergência entre memorial e entrega é a principal origem de litígio pós-obra.
Veja também: Registro de incorporação, NBR 12.721
NBR 12.721
Norma que padroniza os quadros de áreas e custos da incorporação.
Define os quadros I a VIII, que informam áreas reais e equivalentes, fração ideal e custo global. É obrigatória no registro.
Veja também: Registro de incorporação, Fração ideal, Área equivalente de construção
Fração ideal
Parcela do terreno atribuída a cada unidade autônoma.
Determina o peso do voto em assembleia, o rateio de despesas condominiais e a base de cálculo de vários tributos.
Veja também: NBR 12.721, Registro de incorporação
Habite-se
Certificado municipal de conclusão que autoriza a ocupação.
Marco que destrava a averbação da construção, a individualização das matrículas e o repasse do financiamento dos compradores.
Veja também: Averbação da construção, Repasse, Registro de incorporação
Averbação da construção
Registro da obra concluída na matrícula do imóvel.
Depois do habite-se e da CND da obra, a construção é averbada e as matrículas individuais são abertas — condição para escriturar cada unidade.
Matrícula
Ficha cartorária única de cada imóvel, com todo seu histórico.
Registra proprietários, ônus, penhoras e restrições. A leitura da matrícula é o primeiro passo de qualquer due diligence de terreno.
Veja também: Due diligence, Averbação da construção, Ônus reais
Ônus reais
Gravames que acompanham o imóvel: hipoteca, penhora, usufruto, servidão.
Seguem o bem, não o antigo dono. Precisam ser quitados ou baixados antes do registro da incorporação.
Veja também: Matrícula, Due diligence
Due diligence
Auditoria prévia jurídica, urbanística, ambiental e fiscal da operação.
Levanta riscos de matrícula, passivo dos vendedores, restrições urbanísticas, contaminação de solo, tombamento e vizinhança antes de assinar.
Veja também: Matrícula, Ônus reais, Outorga onerosa
IR + CSLL
Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
Tributos sobre o resultado da SPE, geralmente dentro do RET ou lucro presumido.
No RET do patrimônio de afetação, IRPJ e CSLL já estão embutidos na alíquota única sobre a receita. Fora do RET, incidem sobre a base presumida ou o lucro real, elevando a carga efetiva.
Veja também: RET, Lucro presumido, Patrimônio de afetação
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Começar análiseBuild to Rent
Renda recorrente, cap rate e valor do ativo.
BTR
Build to Rent
Construir para manter e alugar, em vez de vender as unidades.
O retorno vem da renda recorrente e da valorização do ativo, não do lucro de venda. Muda completamente o fluxo: investimento pesado na frente, caixa longo e estável depois.
Veja também: Cap rate, NOI, Valor terminal, Multifamily
Multifamily
Edifício residencial inteiro sob propriedade única, operado para locação.
Modelo consolidado nos EUA e em expansão no Brasil. Ganha escala em operação, serviços e gestão de inadimplência.
Cap rate
Capitalization Rate
NOI anual dividido pelo valor do ativo.
É o rendimento do imóvel independente de financiamento. Cap rate de entrada avalia a compra; cap rate de saída define o valor de venda futura.
Cap rate = NOI anual / valor do ativo
ReferênciaResidencial para renda no Brasil: 6% a 9% líquidos ao ano.
Veja também: NOI, Valor terminal, Yield on cost, BTR
NOI
Net Operating Income
Receita de locação menos despesas operacionais do ativo.
Exclui financiamento, depreciação e imposto de renda. É a medida limpa da capacidade de geração de caixa do imóvel.
NOI = receita efetiva − vacância − inadimplência − despesas operacionais
Yield on cost
NOI estabilizado dividido pelo custo total de desenvolvimento.
Compara o rendimento gerado com o que custou construir. O spread entre yield on cost e cap rate de saída é o lucro de desenvolvimento no BTR.
Yield on cost = NOI estabilizado / custo total do projeto
ReferênciaSpread saudável: 150 a 250 pontos-base acima do cap de saída.
Vacância
Percentual de unidades ou de receita não realizada por falta de inquilino.
Inclui vacância física (unidades vazias) e financeira (carências e inadimplência). Premissa de vacância otimista demais é o erro mais comum em modelos de BTR.
ReferênciaEstabilizado: 5% a 10%. Abaixo de 5% é agressivo.
Veja também: NOI, BTR, Multifamily
CapEx
Capital Expenditure
Investimento periódico para manter e renovar o ativo.
Troca de equipamentos, retrofit de áreas comuns e reforma entre inquilinos. Precisa ser provisionado como reserva anual, senão o NOI fica superestimado.
ReferênciaReserva de 3% a 5% da receita bruta por ano.
Veja também: NOI, BTR, Valor terminal
Valor terminal
Valor de venda estimado do ativo ao fim do horizonte de análise.
Normalmente calculado capitalizando o NOI do ano seguinte pelo cap rate de saída. Costuma responder pela maior parte do VPL num modelo de renda.
Valor terminal = NOI do ano n+1 / cap rate de saída
GRM
Gross Rent Multiplier
Valor do ativo dividido pela receita bruta anual de aluguel.
Indicador rápido de comparação entre ativos. Simples demais para decidir, útil para triagem.
GRM = valor do ativo / receita bruta anual
Estratégia híbrida
Parte das unidades é vendida, parte é mantida para locação.
A venda financia a obra e reduz a exposição; a retenção cria renda recorrente e valor patrimonial. Exige modelar os dois fluxos simultaneamente.
Veja também: BTR, VGV, NOI, Exposição máxima de caixa
Inadimplência
Percentual do aluguel faturado que não é efetivamente recebido.
Diferente da vacância (unidade vazia), aqui a unidade está ocupada mas o inquilino não paga. Deve ser modelada como redução da receita efetiva, líquida de recuperações.
Referência1% a 3% da receita bruta em residencial bem gerido
Lease-up
Período entre a entrega do ativo e o atingimento da ocupação estabilizada.
Durante o lease-up o ativo gera receita parcial mas já carrega despesas integrais. Ignorar essa fase superestima a TIR do BTR.
Referência6 a 18 meses até a estabilização
Cap rate de saída
Exit cap rate
Cap rate usado para precificar a venda do ativo ao final do período de detenção.
Define o valor terminal do BTR. Costuma ser adotado igual ou levemente acima do cap de entrada, por conservadorismo (o ativo estará mais velho).
Valor terminal = NOI do ano seguinte / cap rate de saída
Referênciacap de entrada + 25 a 75 bps
Veja também: Cap rate, Valor terminal, NOI
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